Quase um mês após Carne Fraca, inspeção completa de cargas afeta avicultura de SC

Quase um mês após Carne Fraca, inspeção completa de cargas afeta avicultura de SC

quarta-feira, 19 de abril de 2017

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Quase um mês após a Operação Carne Fraca, a inspeção de todos os produtos, que passou a ser exigida por alguns países, prejudica as agroindústrias do estado, afirmou o Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne) . Apesar disso, a produção da avicultura catarinense segue dentro da normalidade, informou a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes, Indústrias de Alimentação e afins do Estado de Santa Catarina (Fetiaesc).
Segundo o diretor-executivo do Sindicarne e da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Ricardo de Gouvêa, é preciso resgatar a confiança dos países na carne catarinense, abalada pela operação. "Não voltou à situação anterior. Temos que ganhar credibilidade. Se antes examinavam as mercadorias por amostragem, hoje mercados como a China fazem uma avaliação de 100%. Isso gera custo", explicou.
Ele se refere ao tempo parado das mercadorias. Quando chega ao país de destino, é preciso que toda a carne seja inspecionada. O período em que os contêineres ficam no navio ou no porto para essa avaliação é pago pelas agroindústrias.
"O impacto só vamos saber mês que vem. Em março, quando surgiu a questão [da operação Carne Fraca], os navios já tinham saído daqui", afirmou.
 
Por Joana Caldas, G1 SC
Preços não devem mudar
No mercado interno, não há previsão de alteração no preço. O resgate da confiança dos países importadores é o que vai determinar se haverá muito prejuízo para as empresas e redução na produção no futuro. "Foram anos que viram o nosso trabalho. A gente espera que isso [inspeção 100%] seja uma situação transitória. A situação da operação é muito pontual. De modo geral, o sistema brasileiro é competente e sério. Mas vai muito deles, mais na mão do mercado acreditar em nós", finalizou Gouvêa.
"O que nós temos até o momento é a normalidade. Nós não temos demissões, salvo o problema de Jaraguá [do Sul]", afirmou o presidente da Fetiaesc, Miguel Padilha. Ele se refere à unidade da empresa de carne Peccin fechada pelo Ministério da Agricultura na cidade do Norte catarinense. "Foi o único problema mais sério que a gente teve no setor de emprego. Não teve nenhum pedido de férias coletivas", completou. Foram demitidos 177 trabalhadores na unidade.
 
Produção mantida
O diretor-executivo do Sindicarne e da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Ricardo de Gouvêa, afirmou que não houve redução na produção. "Aqui em Santa Catarina, não teve férias coletivas, [o estado] manteve o nível de produção planejado. Tivemos uma perda de mercado, houve renegociações de preços. "
"Os mercados levantaram a suspensão [à compra da carne catarinense] rapidamente. Isso foi muito bom, porque se continuasse, íamos ter problemas, sim, tanto de redução da produção e por não haver onde armazenar", acrescentou Gouvêa. Também não há previsão de diminuição na produção para os próximos meses.

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